EM BUSCA DA HARMONIA
Dra.
Fernanda Maria Saorini Correia de Sousa.
Tenho
sido perguntada a respeito de diferentes formas de alimentação,
recentemente entre as vegetarianas e a macrobiótica. Não sou uma
especialista neste padrão de alimentação, porém, posso, em princípio,
dizer que a Alimentação Macrobiótica
provém de uma Filosofia de Vida, e não de princípios acadêmicos, onde
se busca apenas um equilíbrio entre o positivo e o negativo, o Yin
e o Yang, que, além do
modo de vida entra o equilíbrio alimentar, o amargo e o doce, o picante e
o salgado, o alimento ácido, e o equilíbrio que os rege. É uma alimentação
saudável, onde entram o arroz integral, base da dieta, as raízes, as
verduras e muito pouco alimento animal, exclusivamente a base de peixes e
alguns crustáceos.
A
alimentação naturalista já não tem princípios milenares como a
anterior, mas busca a pureza e a integridade dos alimentos, onde não há
ingestão de carne animal, e, para algumas correntes se aceita a adição
de ovos e leite, que outras correntes condenam. Podemos nos alimentar
assim? Claro que sim, temos esta capacidade de adaptação, ou pelo que se
propõe, somos uma espécie que é apenas frutívora, fitógafa (que come
verduras) e mamífera, de onde apenas o leite materno é aceito. Já se
disse que tomar leite não materno, nesta corrente e em outras, é um “assalto
ao bezerro”. Atribui-se à carne como uma fonte de toxinas e de
venenos perigosos, o que para algumas pessoas, como os hepatopatas, renais
crônicos e gerontes, realmente o é. Novas correntes defendem o não
abuso de proteínas, principalmente as de origem animal, para evitar o
envelhecimento precoce, o que, pelos novos estudos acadêmicos pode ter
coerência, mas não se aplicaria ao modo de vida de todos nós. Correntes
radicais acreditam que em pastagens, onde o gado bovino é confinado para
engorda e gerar nosso alimento de origem animal, se poderia plantar muito
em sementes de cereais, entre eles a soja, o feijão, etc, sempre ótimas
fontes de proteína, e se alimentar muito mais pessoas do que com o gado
(uma questão econômica e a ser mais bem investigada e quem sabe,
aplicada futuramente no mundo ocidental).
Pessoas,
de meu conhecimento, atletas, exclusivamente vegetarianos, apresentam ótima
complexão física e desempenho atlético, apesar de não comerem carne,
nem ovos ou leite. Somos capazes de a partir do reino vegetal ter ótima
alimentação. Como se pode dizer, o homem é um ser mamífero, fitófago
e frutívoro. Quando se referem à carne, estas correntes alternativas, se
referem a todos os animais: boi, porco, caça, aves como a galinha, e,
ainda os animais que vivem na água, como os peixes, ostras e camarões.
Com relação aos animais marinhos, com a contaminação ambiental, tem
sido imputado como causa de intoxicação por metais pesados, e muitos
exames de análise de minerais e de metais pesados em pessoas de nossa
região tem apresentado níveis elevados de mercúrio, principalmente
naqueles que comem peixes em grande quantidade. Também não estamos
livres dos agrotóxicos e pesticidas, que podem conter arsênico e chumbo
e nos contaminar cronicamente. Passa a ser difícil não fugir hoje em dia
da corrente de alimentação naturalista, onde melhor escolher os
alimentos de cultura orgânica, plantados entre animais de pequeno porte,
sem o uso de agrotóxicos, apesar de sua aparência não ser “tão
bonita” como os das nossas feiras e supermercados. Hoje em dia, nos
Estados Unidos, grandes fazendas agrícolas desenvolvem culturas
completamente naturais, e, isto é uma tendência cultural voltada para a
saúde, como as correntes antifumo e atualmente a crescente corrente por “soft
drinks”, bebidas sem álcool. Sobre a carne, os médicos atualmente
defendem seu uso em mínima quantidade, “como
se fosse tempero”, devido ao alto índice de doença coronariana
decorrente do colesterol, bem como de seus derivados, principalmente os
embutidos, como salame, presunto, etc, além de serem problemáticos para
quem tem ácido úrico elevado e doença renal, e de certos aditivos
cancerígenos que estes podem conter.
Uma
boa dieta hoje, se torna quase impossível, mas seria baseada em verduras
do seu quintal sem agrotóxicos, legumes frescos não congelados, cereais,
sempre integrais, como feijão, arroz, milho, trigo (pão, macarrão),
ervilha, grão de bico, e, pouca carne, seja ele de aves, de peixes,
bovina, suína ou de outro animal.
Alimentação
é bom senso; o bom senso está em cada um de nós. O bom senso pode estar
em uma religião ou cultura. Como escreveu Artur Schopenhauer em
Parerga und Paralipomema: Um mendigo com saúde é mais feliz do que
um rei doente.