GORDURA
NA CINTURA PODE CAUSAR DOENÇAS
Um empresário bem sucedido
que pratica esportes regularmente e tem seu colesterol normal pode ser
surpreendido por um teste de esforço anormal e se surpreender com uma
doença coronária e vir a ter de ser submetido à cirurgia cardíaca ou
à angioplastia de urgência. Por que? Antonio, dono de uma bem
sucedida imobiliária, de 48 anos, praticava regularmente atividade física,
andava e frequentava academia de musculação, não tinha colesterol
alto, mas, em um teste de esforço, descobriu um problema cardíaco que
lhe rendeu pontes de safena, embora não fosse obeso; tinha 101 cm
de cintura e 93 cm de quadril. As medidas são uma informação
importante: o acúmulo de gordura abdominal visceral - a barriga do
homem - pode estar relacionado ao diabete e à hipertensão arterial e
aumentar o risco de infarto e derrame cerebral.

Esse tipo de gordura - que não
pode ser retirado por lipoaspiração por estar dentro do abdômen - é
apontado como a causa de um conjunto de problemas chamado síndrome
metabólica. Quem tem a síndrome pode apresentar, além de diabetes e
pressão alta, alterações das gorduras no sangue: triglicérides
aumentadas e HDL (o "bom colesterol") reduzido. O "mau
colesterol" (o LDL) pode não sofrer nenhuma alteração. "Eu
nem desconfiava que tivesse problemas", disse Antonio, que tem a síndrome
e agora está tomando remédios e fazendo dieta.
A gordura aumenta o nível de
ácidos graxos livres na circulação portal (leva sangue dos órgãos
abdominais - intestino e gordura abdominal - ao fígado) e isto leva a
resistência à insulina. Com isso, para manter normal a glicose do
indivíduo, o pâncreas é obrigado a produzir insulina em excesso. Esse
processo pode conduzir ao diabetes. O aumento do nível dos ácidos
graxos pode causar também uma disfunção do endotélio, que é uma espécie
de capa de revestimento das artérias e produz substâncias relacionadas
à dilatação e à constrição dos vasos. Com a disfunção, a pressão
arterial aumenta, e os vasos sofrem alterações que favorecem sua
obstrução.
Cerca de 50% das pessoas que
desenvolvem doenças cardiovasculares não têm colesterol alto, mas têm
a síndrome metabólica, nem sempre a pessoa desenvolve todas as disfunções
da síndrome, mas o risco continua. A deposição de gordura no abdômen
é mais comum em homens e está relacionada à manutenção no
organismo, em doses elevadas, de hormônios liberados em decorrência do
estresse crônico. Esse acúmulo não deve ser confundido com a gordura
que se deposita entre a pele e o músculo - que é o caso do
"pneuzinho". Medir a cintura é uma maneira indireta de saber
se alguém tem excesso de gordura visceral. Com a tomografia
computadorizada é possível obter a medida exata, mas seu alto custo
nos faz optar pela simples medida da circunferência abdominal. O melhor
tratamento é perder cintura. A síndrome atinge pessoas de todas
as idades. Embora crianças e adolescentes obesos possam ter a doença,
ela é mais comum entre os 50 e os 70 anos. A Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia estima que, no país, cerca de 30% das
pessoas nessa faixa etária tenham a síndrome.
Entre os novos tratamentos
para a síndrome está o uso de medicamentos que melhoram o metabolismo diminuindo a resistência à insulina ou tratando, ao mesmo
tempo, duas ou mais disfunções. Drogas que abaixam apenas o peso ou a
pressão não seriam as mais recomendadas. Em termos práticos, se a
medicação não se fizer necessária nas fases iniciais do distúrbio,
bons hábitos alimentares, perda de peso e atividade física regular,
são medidas preventivas eficientes que devem ser estimuladas e mantidas
se for iniciado tratamento medicamentoso.